Por José Luis Navarro

Estudo revela como a covid-19 afetou as mulheres

Um inquérito realizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) mostra que a covid-19 causou, nas mulheres mais jovens, tristeza, ansiedade e depressão, enquanto que nas mais velhas instalou-se o medo de serem infetadas.
O relatório “Diários de uma Pandemia” foi uma iniciativa desenvolvida pelo ISPUP e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INES TEC). Este estudo tentou perceber quais as mudanças que se fizeram sentir no quotidiano das mulheres, com idades entre os 18 e os 60 ou mais anos, desde o primeiro confinamento.
Segundo o documento a que a Lusa teve hoje acesso, pode-se concluir que tristeza, ansiedade e depressão “foram mais frequentes nas mulheres mais jovens” (mais de um terço das participantes) e “diminuindo claramente com a idade”.
As conclusões que se pode tirar são que 54,6% das mulheres entre os 30 e os 39 anos afirmam sentirem-se frustradas por não conseguirem regularizar as rotinas do dia-a-dia. Menos de um quarto das inquiridas com 60 ou mais anos confirmam ter “medo de ser infetadas, sempre, quase sempre ou muitas vezes”.
Somando a este medo, as mulheres mais velhas foram as que demonstraram uma maior preocupação com a saúde.
“Foram também as mulheres mais velhas que reportaram menos contactos de risco, menos necessidade de isolamento profilático e menor risco percebido de infeção”, acrescenta o relatório.
“Os Diários de uma Pandemia”, também desenvolvidos em colaboração com o jornal Público, têm como objetivo entender como a população tem, diariamente, se acomodado à covid-19.
No total, até ao dia 5 de março, foram preenchidos mais de 65 mil questionários pelas 3.674 pessoas que participaram no estudo.