Fim do sonho: O voo dos dragões na Champions

O FC Porto venceu ontem o Chelsea, na segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões. Com a desvantagem do primeiro jogo, os dragões não seguem para a próxima fase da competição

Por Andreia Figueirôa, Pedro Falardo e Viviana Fangueiro

 

O grande golo de Mehdi Taremi ao cair do pano não chegou para o FC Porto alcançar o sonho de chegar às meias finais na competição europeia. 

Os azuis e brancos venceram o Chelsea por 1-0, na segunda mão dos quartos de final da Champions, disputada em Sevilha. O clube português entrou em campo com um desafio: virar uma desvantagem de dois golos que tinha sofrido no jogo da primeira mão, também no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, na semana passada.

Uma das novidades no jogo foi o regresso de Sérgio Oliveira ao onze inicial, após cumprir castigo. 

No decorrer do jogo, o Chelsea tentou segurar um Porto que nunca baixou os braços.

Quando tudo indicava que o resultado ficaria pelo empate,Taremi, aos 90+4 minutos, de bicicleta, marcou o golo que deu a vitória ao clube azul e branco. No entanto, este não foi suficiente para que a equipa portuguesa seguisse para as meias finais da competição.

 

Dragões têm história na competição

 

Já não é surpresa o Futebol Clube do Porto estar nos quartos de final da Champions League. O clube tem história, no que diz respeito à maior competição de clubes do mundo, e já levou para o Dragão dois troféus.

 

1987 e 2004 foram anos de glória para o clube. O primeiro título na competição leva-nos a recuar 34 anos, quando a atual “Liga dos Campeões” ainda tinha o nome de “Taça dos Clubes Campeões Europeus”.

A partida entre o clube português e o alemão Bayern de Munique ficou marcada pelo famoso golo de calcanhar de Rabah Madjer aos 77 minutos da partida, que iniciou uma reviravolta no jogo, com uma grande e inspirada performance de Paulo Futre, depois de a equipa alemã estar a vencer desde o minuto 25’. Juary, a dez minutos do fim, vira o jogo e garante a vitória dos dragões.

 

Famoso golo de Madjer, de calcanhar, em 1987

 

17 anos depois, em 2004, a história repete-se. A final entre o FC Porto e o Mónaco contou com mais de 52 mil espectadores sentados na bancada da arena alemã Auf Schalke em Gelsenkirchen. José Mourinho era o treinador na altura e a sua equipa era a favorita a vencer o jogo, devido a todo o historial na competição.

Foi na segunda parte que os dragões confirmaram a vitória na competição: um rápido contra-ataque, em que Deco serviu na ala o russo Alenichev, que devolveu a bola ao “Mágico” para fazer o 2-0. Quatro minutos mais tarde, foi Derlei a colocar a bola em Alenichev e o russo colocou uma pedra no assunto, fazendo o 3-0 final. 

 

Vítor Baía a segurar na taça da Liga dos Campeões

 

Nos anos que se seguiram e até hoje, o FC Porto conseguiu chegar sete vezes aos oitavos de final da competição e quatro vezes aos quartos, onde só estão os oito melhores clubes da Europa.

 Desta vez, já nos quartos de final, a equipa azul e branca estava inserida no grupo dos considerados grandes “tubarões europeus”, como o Real Madrid, Bayern de Munique e Paris Saint Germain. Logo nos oitavos de final da competição, a Juventus de Cristiano Ronaldo foi a equipa adversária do clube português, considerada também um dos tubarões europeus. Apesar disso, o clube portuense conseguiu eliminar o italiano e voar para Sevilha, onde defrontou o Chelsea nos quartos de final.

Com a oportunidade de fazerem história, ao darem a volta ao marcador na segunda mão do jogo, depois de estarem a perder por 2-0, os dragões acabaram por manter no registo o facto de nunca terem dado a volta a uma eliminatória europeia que perderam por dois golos na primeira mão.

 

Chelsea titubeante tem na Champions o grande objetivo

Este jogo marcou o regresso às derrotas dos comandados de Thomas Tuchel, após vitória forasteira no dérbi frente ao Crystal Palace, por 1-4. Após um início de 13 jogos sem derrotas, o melhor da história do clube, os Blues foram derrotados pelo West Bromwich Albion, equipa quase condenada à descida de divisão, por expressivos 2-5. A derrota frente aos “dragões” parece confirmar uma tendência de diminuição do nível exibicional da equipa, que tem duas derrotas em 4 jogos.

Os comandados de Tuchel ocupam o 5º lugar da Premier League, a uns longínquos 20 pontos do líder Manchester City. A equipa londrina luta com Leicester City, West Ham, Liverpool, Tottenham e Everton por duas vagas na Liga dos Campeões do próximo ano, não estando assegurado, inclusive, um lugar nas competições europeias. Ainda a nível interno, os Blues estão na meia-final da FA Cup, onde terão um duro embate com os Citizens de Pep Guardiola.

Nas meias-finais, os campeões europeus de 2012 irão defrontar o Real Madrid, que finalmente encontrou a sua forma europeia após a saída de Cristiano Ronaldo. Este será um confronto inédito no século XXI, já que as duas equipas não se defrontam desde a Supertaça Europeia de 1998, a qual o Chelsea venceu por 1-0. Os outros dois confrontos contra os merengues dizem respeito à final da Taça das Taças de 1971. Após o empate na final original, os londrinos venceram a repetição por 2-1, ganhando o seu primeiro título europeu. O Real Madrid é, portanto, um adversário de excelente memória para o clube inglês.